Se você pretende morar em Malta, principalmente no começo da sua experiência, precisa estar preparado para uma realidade muito comum: dividir a moradia com outras pessoas. Pode ser necessário dividir um quarto ou alugar um quarto individual dentro de uma casa compartilhada. Mesmo que você tenha o seu próprio espaço para dormir, provavelmente dividirá áreas como cozinha, sala e, em alguns casos, banheiro.
A vida que você tinha no Brasil pode mudar completamente
Dependendo da idade em que você decide fazer um intercâmbio, talvez já tenha construído uma vida independente no Brasil.
Você pode ter saído da casa dos seus pais há alguns anos, alcançado determinado patamar de renda, organizado a casa do seu jeito e se acostumado a ter privacidade.
Quando chega a Malta, essa realidade pode mudar completamente.
No meu caso, não sou o único vivendo esse momento. O Gabriel, que mora comigo e é dez anos mais velho, também passou por essa mudança.
Nós chegamos a Malta em fases diferentes da vida, mas compartilhamos uma situação parecida: no Brasil, já estávamos acostumados com determinado nível de independência. Aqui, precisamos nos adaptar a uma realidade em que dividir a moradia faz parte do processo.
Isso pode acontecer com uma pessoa de 20, 30, 40 anos ou mais. A idade não elimina a necessidade de reorganizar a vida quando você muda de país.
Morar sozinho em Malta nem sempre será uma opção
O aluguel em Malta pode ser muito caro para uma pessoa bancar sozinha, principalmente durante o começo do intercâmbio.
Para quem vem solteiro, morar sozinho dificilmente será a primeira realidade.
Se você vem como casal, existe a possibilidade de dividir os custos entre duas pessoas e ter mais privacidade. Ainda assim, dependendo do orçamento, o casal também pode morar em uma casa compartilhada.
Para uma pessoa solteira, dividir costuma ser ainda mais natural.
Você pode escolher um quarto compartilhado e pagar menos ou alugar um single room, que é um quarto individual dentro de uma casa com outras pessoas.
No single room, você preserva parte da sua privacidade, mas continua dividindo as áreas comuns. A cozinha, a sala, a lavanderia e, às vezes, o banheiro fazem parte da convivência.
Essa é uma realidade para a qual você precisa estar preparado.
Dividir casa significa abrir mão de parte da sua privacidade
Para quem está acostumado a ter a própria casa, dividir pode ser difícil.
Você deixa de controlar completamente os horários, a limpeza, o barulho, a organização e a maneira como os espaços são utilizados.
Cada pessoa possui seus próprios costumes domésticos. O que parece normal para você pode incomodar outra pessoa. Da mesma forma, alguns hábitos dos seus colegas de casa podem ser difíceis para você.
Eu, particularmente, estava acostumado com a minha privacidade e com a possibilidade de fazer as coisas do meu jeito.
Em Malta, precisei me redesenhar nesse sentido.
Isso não significa que dividir uma casa seja necessariamente ruim. Significa apenas que você precisará desenvolver paciência, comunicação e respeito pelos limites das outras pessoas.
Algumas desavenças acontecerão. Ter hábitos diferentes é completamente normal.
O mais importante é que todos consigam conversar e respeitar o espaço uns dos outros.
Dividir casa não é apenas uma questão financeira
Quero deixar algo claro: este artigo não foi feito para colocar medo em quem está planejando um intercâmbio.
Dividir casa pode ser complicado, mas nem tudo é ruim.
Na verdade, existe uma parte muito positiva dessa experiência que, muitas vezes, não é considerada antes da viagem.
O intercâmbio pode ser uma experiência muito solitária.
Em diversos momentos, você passará por situações sozinho, fora da sua zona de conforto e distante de tudo aquilo que conhecia.
Você estará sem a sua base, sem o seu espaço seguro e longe das pessoas que normalmente ajudariam nos momentos difíceis.
Por isso, compartilhar a casa pode deixar de ser apenas um sacrifício financeiro e se transformar em uma forma de apoio.
A casa compartilhada pode virar seu espaço de segurança
Malta possui uma comunidade brasileira muito grande. Isso aumenta as chances de encontrar outros brasileiros procurando quarto ou casa para dividir.
Morar com uma pessoa que fala o mesmo idioma pode ajudar bastante durante a adaptação.
Principalmente quando você ainda não domina o inglês.
Quando não conseguimos nos expressar completamente em outro idioma, diversas inseguranças aparecem. Você pode entender apenas parte de uma conversa, ter medo de falar algo errado ou simplesmente sentir que não consegue ser você mesmo em inglês.
Depois de passar o dia inteiro tentando se comunicar, estudar, trabalhar e resolver problemas em outro idioma, chegar em casa e conversar em português pode trazer uma sensação enorme de alívio.
Aquela casa compartilhada pode se tornar um pequeno pedaço do Brasil.
Você consegue conversar, brincar, reclamar, pedir ajuda e contar como foi o seu dia sem precisar pensar tanto antes de cada frase.
Isso cria uma sensação de segurança que pode fazer muita diferença em uma experiência tão desafiadora.
A pessoa com quem você mora pode se tornar uma das relações mais profundas do intercâmbio
Não subestime o poder que uma boa convivência pode ter nos momentos em que você mais precisar.
A pessoa que mora com você verá partes da sua experiência que seus amigos e sua família no Brasil talvez não consigam acompanhar completamente.
Ela estará presente nos dias bons, nos problemas com documentos, na ansiedade por trabalho, nas dificuldades financeiras, nos momentos de saudade e nas pequenas conquistas da rotina.
Por isso, a pessoa com quem você divide a casa pode se tornar uma das relações mais profundas que você construirá durante o intercâmbio.
Eu fico praticamente o dia inteiro fora de casa. Mesmo assim, quando volto, tenho uma sensação boa.
Não chego pensando que será horrível estar ali.
Tenho uma boa relação com as pessoas que moram comigo. Claro que existem desavenças e costumes domésticos diferentes. Isso é completamente normal.
No final, porém, essa convivência me ajuda muito.
Escolher com quem morar faz toda a diferença
Dividir casa pode ser uma experiência muito boa ou muito ruim.
Essa é a verdade.
Tudo depende das pessoas envolvidas, da capacidade de conversar e do respeito aos limites da convivência.
Você não precisa encontrar alguém com exatamente os mesmos costumes, a mesma personalidade ou os mesmos gostos.
O mais importante é que as pessoas consigam respeitar umas às outras.
Por isso, escolha com carinho.
Em Malta, é comum que as pessoas peçam uma pequena apresentação antes de aceitar alguém em uma casa compartilhada.
Podem perguntar quem você é, onde trabalha ou estuda, quais são os seus horários, se costuma sair muito, se fuma, se gosta de festas e como é a sua rotina.
Essas perguntas ajudam os moradores a terem uma visão geral da pessoa e entenderem se aquela convivência pode fazer sentido.
Você também deve fazer perguntas.
Não pense apenas no preço e na localização. Procure entender quem mora na casa, quais são as regras, como funciona a limpeza e qual é a rotina das outras pessoas.
É impossível conhecer alguém completamente antes de morar junto, mas uma conversa inicial pode evitar alguns problemas.
Uma convivência ruim pode transformar sua casa em um inferno
A casa deveria ser o lugar onde você descansa depois de enfrentar todos os desafios do intercâmbio.
Quando a convivência é ruim, esse espaço de tranquilidade pode se transformar em mais uma fonte de estresse.
Pode ser devastador morar com uma pessoa desrespeitosa, agressiva, barulhenta ou que não cuida dos espaços compartilhados.
Você passa o dia fora enfrentando dificuldades e, quando volta para casa, não consegue descansar.
Por isso, a questão da moradia exige uma atenção redobrada.
A mesma casa que pode proteger sua saúde mental também pode prejudicá-la.
Dividir não é automaticamente positivo ou negativo. Tudo dependerá da qualidade da convivência construída naquele espaço.
Você economiza, mas também constrói uma rede de apoio
O benefício financeiro é evidente.
Dividir um quarto costuma ser mais barato do que alugar um quarto individual. Alugar um quarto individual em uma casa compartilhada também costuma ser mais acessível do que bancar um imóvel sozinho.
Nos períodos mais difíceis, essa economia pode ajudar bastante.
Mas o valor de dividir a casa não deve ser medido apenas pelo dinheiro economizado.
Uma boa convivência pode ajudar você a atravessar a saudade, a insegurança com o inglês, a procura por emprego e todos os desafios de começar novamente em outro país.
Ela pode ser um divisor de águas para a duração da sua experiência e para a maneira como você permanecerá mentalmente durante esse período.
Venha preparado para dividir
Se você pretende morar em Malta, venha preparado para a possibilidade de dividir.
Pode ser um quarto compartilhado ou um quarto individual dentro de uma casa com outras pessoas.
Provavelmente haverá momentos desconfortáveis. Você precisará conversar, negociar regras e aprender a conviver com hábitos diferentes dos seus.
Se você não se considera uma pessoa boa de convivência ou sempre morou sozinho, esse processo pode ser ainda mais desafiador.
Mesmo assim, não tenha medo.
Escolha as pessoas e a casa com cuidado. Pergunte sobre a rotina, seja honesto sobre os seus hábitos e esteja disposto a respeitar os limites da convivência.
Você abrirá mão de parte da sua privacidade, mas poderá encontrar algo muito importante em troca: companhia, segurança emocional e uma rede de apoio durante uma das experiências mais intensas da sua vida.
Dividir casa em Malta pode ser difícil. Também pode ser uma das coisas que mais ajudará você a permanecer bem durante o intercâmbio.
Planejando sua moradia em Malta?
A escolha da moradia interfere no orçamento, na rotina, no deslocamento e na sua adaptação emocional.
O Malta na Prática oferece conversas individuais para ajudar você a organizar suas expectativas e entender quais fatores deve considerar antes de escolher uma região, um quarto ou uma casa compartilhada.
A informação geral está neste artigo. A conversa serve para aplicar essa realidade ao seu momento, aos seus objetivos e ao seu orçamento.
Este artigo apresenta uma experiência pessoal. A convivência e as condições de cada imóvel podem variar de acordo com a casa, o proprietário e as pessoas envolvidas.

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